Ser gentil é uma qualidade, mas ser meloso é doze!

Author: Ricardo Soares - Postado em: 17/07/2005
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Resenha:
O brasileiro é um povo que tem um jeitinho especial para tudo, conversando com alguns amigos chegamos a conclusão de que esse nosso carisma é algo realmente muito valioso e único! Mas devemos tomar cuidado para não irmos alem do necessário.

Dissertação:
Um amigo me contou um fato do tempo em que ele era proprietário de um restaurante. Sempre atendia seus clientes se referindo a eles como querido ou querida. Um certo dia entrou um casal o qual ele rapidamente se prontificou a atender, sempre os referenciando como minha querida e meu querido, ou meus queridos. O homem começou a ficar de cara amarrada, sem entender o porque esse meu amigo voltou a passar na mesa algumas vezes, sempre tentando anima-los, e os cumprimentava, “então meus queridos, estão sendo bem atendidos” querem beber alguma coisa?? Mas o homem, em especial, sempre de cara amarrada. Reparando que o casal estava terminando a refeição em uma tentativa final levou ao casal uma sobremesa por conta da casa, afinal, pensou, o dia do cliente não deve ter sido muito bom, e se ele conseguisse descontrai-lo provavelmente ele voltaria ao restaurante outras vezes. O casal terminou a sobremesa e foi embora, e o homem continuava emburrado, de uma maneira que o meu amigo nunca havia visto antes. Fazer o que, pensou ele, não se pode ganhar sempre, mas ao menos tentei.

Um longo periodo depois reaparece o casal, o homem emburrado novamente, mas desta véz emburrado ainda. Não pode ser, pensou meu amigo, sera que esse cara um dia foi alegre afinal de contas, rápidamente então foi atende-los mas usando de um pouco menos de atenção, afinal, pensou ele, para que ficar me preocupando com uma pessoa que não sabe ser feliz? Ele os atendeu se dirigindo á eles como meu querido e minha querida, como sempre fazia á todos. O casal procedeu da mesma maneira que da vez anterior, e o homem continuava emburrado, até que no final da refeição o casal lhe chamou á mesa e a mulher dirigindo a palavra pergunta:
- O sr. me conhece de algum lugar?
- Não - respondeu ele - sei que vocês estieram aqui a um tempo atráz, mas no momento não sei precisar quando!
- O sr. por acaso sabe ao menos o meu nome, ou quem é essa pessoa que me acompanha?
- Não - respondeu meu amigo cada vez mais intrigado.
- Bem, meu senhor - continuou a mulher - Desde o mês passado em que estivemos aqui eu e meu marido não paramos de brigar, e resolvemos vir aqui hoje para resolver esse problema de vez. O caso é que eu me chamo Querida e meu marido se chama Querido, Quando entramos aqui o sr. me chamou de Querida como se tivesse tanta intimidade e logo em seguida se dirigiu a meu marido com a mesma intimidade, todos os nossos amigos quando nos veem passar logo brincam, olá meus queridos, e grande é a coincidência, pois à muito tempo atrás, pouco antes de me casar, tive um namorado muito parecido com o sr., de maneira que meu marido logo pensou que estivéssemos tendo um caso e o sr. estava sim tirando sarro dele!

Dice meu amigo que no momento ele ficou sem palavras, no final todos ficaram amigos e hoje riem muito da História, entretanto, não sei porque, daquele dia em diante meu amigo nunca mais se dirigiu à ninguém chamando-o de querido(a), talvez porque ele compreendeu que quando estamos falando frente a frente, existe uma área territorial que não pode ser invadida até que se tenha permissão! Essa área territorial não é apenas um espaço físico, como lecionam os professores, mas também politico, econômico, social, cultural, e …, bem, acho que você entendeu.

Moral da História: Ao dirigir a palavra à alguém lembre-se, você é brasileiro, não precisa tentar ser mais simpático do que já é, a melhor estratégia para garantir que o cliente vai gostar da compra é sendo você mesmo, ser gentil é uma qualidade, mas ser meloso é doze!













Comments

One Response to “Ser gentil é uma qualidade, mas ser meloso é doze!”

  1. Mauro (mike) on July 26th, 2005 1:28 am

    Po… pior que lá no Navio quando eu trabalhava tinha uma mulher que trabalhava coma gente que chamava todo mundo de querido… era um porre…

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